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14/07 - Afinal, o que é Estratégia?

Por Carlos Alberto Júlio
Alguém já disse que a vida é a arte das escolhas. Mas como é possível fazer as escolhas certas se muitas vezes não sabemos o que queremos para nós mesmos? Para fazer as escolhas certas, tomar decisões importantes na vida pessoal e profissional, traçar um caminho rumo à conquista de nossos desejos, é fundamental saber aonde queremos chegar. Toda empresa deve escolher o caminho que a leve a alcançar os objetivos desejados, partindo de uma realidade conhecida e estudada. Ou seja, toda empresa deve ter estratégia. A estratégia depende basicamente de saber escolher aonde se quer ir.
Hoje peço licença para compartilhar com você, leitor, este espaço para falar mais sobre a Arte da Estratégia, tema do meu livro (A Arte da Estratégia – Pense grande, comece pequeno e cresça rápido! - Elsevier Editora), de mostrar como é possível e simples pensar grande, começar pequeno e crescer rápido.
Permita-me contar uma breve história do pensamento de gestão, em tom de parábola. Primeiro, as empresas tendo à frente do departamento de recursos humanos, falavam assim: precisamos colocar todo mundo no mesmo barco. Por quê? Porque cresceram e, com tanta gente, veio a dispersão. Nem todo mundo estava no mesmo barco.
Mas isso não resolveu o problema. As pessoas entraram no barco, mas não sabiam exatamente o que fazer, umas olhando para as outras. E a empresa ficou à deriva. Veio uma segunda ordem: era preciso colocar todo mundo remando no mesmo barco. Surgiu, então, outra dificuldade. Cada pessoa remava para um lado diferente e a empresa não saía do lugar.
Terceiro movimento: os dirigentes deveriam colocar todo mundo no mesmo barco remando para o mesmo lado. Foi aí que se percebeu a questão mais importante: é necessário descobrir para que lado as pessoas deveriam remar. Percebeu-se que uma operação eficaz – todos remando para o mesmo lado – só conferia velocidade, mas não a certeza de estar levando a empresa para seu rumo certo. Afinal, no rio, quanto mais rápido se rema no sentido contrário, mais rápido se chega à cachoeira – e à queda livre. Era preciso definir o norte, o rumo certo. Era necessário algo maior que orientasse a operação diária. Era necessário, enfim, ter uma estratégia.
E a história não acabou não. Mais recentemente, tiraram o timoneiro do barco. A figura do timoneiro corresponde ao presidente da empresa. Antes ele ficava comandando: “é para lá, é para lá”. Hoje as pessoas devem remar sem ouvir comandos e o presidente precisa sair remando também, vendendo, relacionando-se com os clientes. Agora todo mundo tem de estar no mesmo barco, remando, remando para o mesmo lado e sabendo para que lado remar.
Podemos definir estratégia então, como o caminho para você alcançar, o mais rápido possível, o seu objetivo. Mas esta definição de estratégia e o processo para formulá-la não são consensuais no mundo dos negócios e na academia. Muitos discordariam. Se para alguns teóricos a estratégia é o caminho, outros argumentam que estratégia é a visão do futuro em si (podemos chamá-lo de ponto B). E há os que, capitaneados pelo grande Michael Porter, ensinam que o ponto B só serve e for diferente de todos os pontos B da concorrência.
As variadas linhas de pensamento estratégico são fascinantes, vale a pena aprofundar-se nelas. Em meu novo livro, ofereço um “aperitivo” de algumas, mas optei pela criação de um modelo que aliasse simplicidade, clareza e fácil aplicação. Com permissão da academia e em minha defesa, digo que sou coerente e que acredito que muitas empresas deixam de ter estratégia por complicarem demais o assunto. Recorri à moda da “simplicidade” de Tom Peters e inventei um slogan que resume este novo modelo que apresento na obra: “Pense grande, comece pequeno e cresça rápido!”. Traduzindo: pensar grande é estabelecer o objetivo da empresa; começar pequeno significa caminhar no ritmo que a situação atual da empresa permite e crescer é fruto da execução da estratégia de um modo geral, com todas as aplicações metodológicas que envolve cada um desses pilares.
Ora, nem é preciso lembrar que a estratégia está sempre se modificando, porque o ambiente em que se insere a empresa também se modifica continuamente. E sabe quem acha que isso faz mais sentido? Peter Ducker. E quando Drucker fala, todos nós devemos parar para refletir.
Acredite: pior que uma estratégia rasa é não ter estratégia. Pior que uma estratégia simplificada é não parar para pensar o negócio e discutir seu futuro, sua concorrência, suas possibilidades de novos produtos, clientes e mercados. Pior que uma estratégia que não seja a mais defensável tecnicamente, é navegar sem bússola. Afinal, um avião que voa 10 minutos no sentido contrário ao de sua rota está 20 minutos mais longe do destino desejado, não é mesmo?
 

Autor: Profº Carlos Alberto Júlio


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